Santo Agostinho
Santo Agostinho
ORIGEM
Tagaste (Norte da África, 354-430)
CORRENTE FILOSÓFICA
Patrística
PRINCIPAIS OBRAS
Entre as principais obras estão: Contra os Acadêmicos (escrita em 386), Solilóquios (387), Do Livre Arbítrio (388-39), De Magistro (389), Confissões (400), Espírito e Letra (412), A Cidade de Deus, as Retratações e Trindade (413-426). Porém, quase todas essas obras assumiram caráter polêmico, em decorrência dos diversos conflitos que Santo Agostinho teve que enfrentar.
FRASE-SÍNTESE
“É preciso compreender para crer, e crer para compreender.”
“A verdade e Deus devem ser buscados na alma, e não no mundo exterior”.
BIOGRAFIA
Aurélio Agostinho nasceu em Tagaste (hoje Suk Ahras), na Argélia. Estudou retórica em Cartago e seguiu várias linhas filosóficas, como o maniqueísmo, corrente baseada no conflito entre o bem e o mal, e o ceticismo. Sob a influência do bispo de Milão, Santo Ambrósio, converteu-se ao cristianismo e foi batizado em 387. Foi nomeado bispo de Hippona (atual Annaba), na Argélia, onde morreu aos 75 anos.
É considerado o maior teólogo do cristianismo e o maior filósofo desde Aristóteles. Agostinho realizou a primeira grande sistematização do pensamento cristão, incorporando as ideias de Platão ao cristianismo. Seu sofisticado pensamento serviu como base para toda a teologia cristã ocidental.
“No que diz respeito a todas as coisas que compreendemos, não consultamos a voz de quem fala, a qual soa por fora, mas a verdade que dentro de nós preside a própria mente, incitados talvez pelas palavras a consultá-la. Quem é consultado ensina verdadeiramente e este é Cristo, que habita, como foi dito, no homem interior.”
A FILOSOFIA DE SANTO AGOSTINHO
Santo Agostinho tinha particular interesse nos estudos sobre como conciliar fé e razão. Sendo a mente humana mutável e falível, como atingir, a partir dela, a Verdade eterna? Para Santo Agostinho, a filosofia antiga, apesar de pagã, seria uma preparação da alma, muito útil para a compreensão da verdade revelada. Afinal, sem o intelecto o homem é incapaz de compreender as Sagradas Escrituras. Entretanto, tal como o olho necessita da luz do sol para enxergar, o ser humano necessita da luz divina para chegar ao conhecimento completo, não sendo suficiente (apesar de importante) o uso da razão.
Intellige ut credas, crede ut intelligas (“é preciso compreender para crer, e crer para compreender”) e fides praecedit intellectum (“a fé precede a razão”) são algumas de suas mais famosas máximas. A verdadeira sabedoria, com a qual vem a verdadeira felicidade, não se encontra neste mundo, mas tão-somente em Deus, que é o arx philosophiae (ápice da filosofia). Para alcançá-lo, não basta a razão, é preciso entregar-se na busca da face incompreensível ou inefável de Deus.
Nossa mente, criada à imagem e semelhança de Deus, possui uma centelha divina, a luz natural (lúmen naturale), que nos da a capacidade de entender as verdades eternas. Todo o homem possui a centelha divina. Como diz São Paulo: “Não há judeus, nem grego, nem escravo, nem homem livre, nem homem, nem mulher: todos sois um no Cristo Jesus”. Essa é a Teoria da Iluminação de Santo Agostinho. Tal teoria é proveniente da doutrina da reminiscência de Platão, segundo a qual as ideias já residiriam em nossa alma e caberia ao filósofo despertá-las.
Diante da perfeição de Deus, há um problema para esses primeiros teólogos do cristianismo: se Deus é todo-poderoso, criador de tudo, ele também seria criador do mal? Se Deus criou o mal, como defender sua bondade infinita? Se ele é onipotente, seria ele responsável pela miséria e infelicidade do mundo? Para Santo Agostinho, o mal não tem realidade metafísica: todo o mal não é mais que a ausência do bem, a ausência da obra divina. Ou, para ser mais preciso, o mal não é algo que foi criado, não é algo físico – o mal é o “não ser”.
INFLUÊNCIAS
De partida, devemos notar que Santo Agostinho foi influenciado pelo maniqueísmo, segundo o qual o mundo seria regido pelas ‘forças do bem e do mal’ (concepção de base platônica), bem como pelo neoplatonismo de Plotino (204 d.C - 240 d.C).
Por outro lado, sua conversão deu-se graças à oratória do bispo de Milão, Santo Ambrósio, o qual o batizou e influenciou em seus discursos.
Foi responsável por reforçar o conceito de 'pecado original' e desenvolver o conceito de Igreja como a cidade espiritual de Deus, distinta da cidade material dos homens.
Também afirmou que a origem do mal estaria no livre-arbítrio, concedido por Deus, donde todo mal seria o resultado do livre afastamento do bem. Era também defensor da predestinação divina.
Curiosamente, pregava que o caminho para a verdade estava na fé, contudo, seria a razão o melhor caminho para provar a validade das verdades.
Santo Agostinho hoje
Na atualidade, existem preconceitos de diversos tipos: se existem, por um lado, grupos que discriminam minorias, existem também, por outro, aqueles que associam “religião” à ignorância. A densidade da obra de Santo Agostinho, rica tanto do ponto de vista filosófico quanto do ponto de vista literário, nos mostra que essa associação é absolutamente equivocada.
Fontes:
https://guiadoestudante.abril.com.br/especiais/agostinho/
https://www.todamateria.com.br/santo-agostinho/
VÍDEOS
1 - Quem foi Santo Agostinho 11’30 (Lobo)
https://www.youtube.com/watch?v=PBSMniil4EM
2 - Vida e obra de S. Agostinho 29’ (Carol Bazzo)
https://www.youtube.com/watch?v=Qj962pq1Z30
3 - Santo Agostinho 12' (Francisco)
https://www.youtube.com/watch?v=evkhLnwTlWs
4 - A teoria do conhecimento em S. Agostinho 5’17 (Isto não é filosofia)
https://www.youtube.com/watch?v=SjoUasB4vF4
5 - (vídeo-leitura) Tarde te amei 8’ (P. R. Manzotti)
https://www.youtube.com/watch?v=YGHq8_OvjQM
6 - (canto) Tarde te amei 4’18 (Ir. Kelly Patrícia)
https://www.youtube.com/watch?v=rV43cQ1-bGw
Comentários
Postar um comentário